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Volvo abandona grupo que critica pressa por carros elétricos

Mais chinesa do que europeia, Volvo se alinha ao Oriente na pressa por carros elétricos e abandona gigante do lobby automotivo na Europa

Por Eduardo Passos 11 jul 2022, 14h23 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h09
Volvo XC90
Volvo tem pressa para eletrificar o planeta e trata isso como prioridade absoluta (Divulgação/Volvo)
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Como em qualquer grande indústria, as montadoras se reúnem em associações que utilizam do poder econômico para influenciar opinião pública e políticos — o famoso lobby. Um dos maiores exemplos desse lobby, entretanto, está mais fraco, já que a Volvo anunciou sua saída da Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA).

Segundo a agência Reuters, a Volvo anunciou na sexta-feira (8) sua saída da ACEA, alegando divergências graves em relação ao fim de carros a combustão. A montadora está comprometida a vender apenas elétricos a partir de 2030; já a Associação critica o prazo geral da União Europeia, que quer vender apenas elétricos de 2035 em diante.

Em resposta à Reuters, a Volvo citou a falta de alinhamento como algo inviável. “O que nós fazemos (…) será vital para decidir se poderemos ou não contornar as mudanças climáticas”, acrescentou a nota oficial.

Vale notar que a ACEA é categórica ao tratar a eletrificação automotiva como algo necessário para controlar o aquecimento global. O grupo, entretanto, acredita que cravar datas é uma decisão política que mais atrapalha do que ajuda.

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A mesma coisa pensa o CEO da Stellantis, Carlos Tavares. Mesmo assim, Tavares também anunciou a saída da ACEA. “Nunca esqueçamos que a escolha pela eletrificação não é industrial: ela é política. Eu respeito as lideranças. Elas decidem, eu obedeço”, comentou o CEO do conglomerado à época.

Lynk & Co 01
Também da Geely, Lynk & Co é marca exclusiva da China que utiliza tecnologia da Volvo (Lynk & Co/Divulgação)

Conflito de interesses?

Ainda que a Volvo tenha explicado suas razões, houve quem apontasse motivos mais sutis por trás da decisão. Formada em 1991, a ACEA reúne gigantes como a Renault, Daimler e o Grupo Volkswagen. Também há estrangeiras que fabricam na Europa, como Toyota, Honda e Ford.

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O que não há, porém, são membros chineses. Estes, inclusive, são vistos com resistência por políticos da União Europeia, que enxergam a disparada da China no segmento como ameaça às concorrentes locais.

Geely Preface
Geely Preface tem plataforma e motores da Volvo, mas é a chinesa que manda na sueca (Geely/Divulgação)

Apesar de fortemente ligada à Suécia, a Volvo é de propriedade chinesa desde 2010, quando foi adquirida pela Geely. Desde então, a liderança asiática serviu para reestruturar a marca, que se tornou lucrativa e bateu recorde de vendas, ao mesmo tempo que estreitou um intercâmbio tecnológico e comercial entre Suécia e China.

Tudo isso ocorre sem que a Volvo perca certa autonomia, ainda que seu presidente, Li Shufu, seja um influente bilionário chinês. Em 2020, a Geely tentou encerrar a autonomia e controlar absolutamente a Volvo — o que não ocorreu mas é visto como questão de tempo. Com objetivos tão distintos da ACEA, há quem aposte que a saída da organização de lobby tenha a ver com a defesa de interesses não tão europeus assim.

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil ao fundo e uma bola no gramado. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas, com um carro vermelho em destaque. Um ícone de árvore branca aparece no canto superior direitoTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca.
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