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IPVA 2026 pode ser parcelado em até 12 vezes, mas empresas cobram juros; vale a pena?

Simulação feita por QUATRO RODAS aponta que o parcelamento do IPVA 2026 no cartão de crédito pode deixar o imposto até 37% mais caro

Por Mauro Balhessa
7 jan 2026, 14h25 •
Pagamento do IPVA pelo cartão de crédito pode representar um alívio no bolso no começo do ano, mas com ele estão os juros do serviço
Pagamento do IPVA pelo cartão de crédito pode representar um alívio no bolso no começo do ano, mas com ele estão os juros do serviço (Freepik/Divulgação)
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  • O ano de 2026 já começou e com ele os novos calendários de vencimento do IPVA em todos os estados. Geralmente, as secretarias da fazenda, responsáveis pela arrecadação de impostos de cada estado brasileiro, concedem um desconto para os contribuintes que pagam à vista e um parcelamento mínimo sem juros.

    Há ainda a possibilidade de pagar parcelado, em até 12 vezes com juros no cartão de crédito, por meio de um serviço realizado por empresas credenciadas às pastas estaduais. Mas, vale a pena?

    Serviço

    No caso de São Paulo, a Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo) exibe em seu site empresas cadastradas que realizam esse tipo de pagamento (veja aqui).

    O sistema da Zapay, para citar, é utilizado pelo Sem Parar e no próprio site da Zapay. Na plataforma é possível pagar em até 12 vezes e também incluir o licenciamento do veículo. O contribuinte pode fazer uma simulação e observar o preço do serviço e dos juros aplicados.

    Outro exemplo é o sistema de pagamento da Zignet, que também é utilizado pela Veloe. Ele oferece a possibilidade de parcelamento em até 12 vezes, englobar o licenciamento do veículo, e opção de simulação de juros aplicados.

    As companhias oferecem o parcelamento em todas as unidades federativas. Elas não divulgam oficialmente a taxa de juros empregada e o custo do serviço, apenas que o valor final varia de acordo com o número de parcelas escolhidas e o meio de pagamento.

    Trânsito na cidade de São Paulo
    Trânsito na cidade de São Paulo (Rovena Rosa/Agência Brasil)
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    Simulação

    QUATRO RODAS fez uma simulação de parcelamento do imposto com um Chevrolet Prisma Joy 2007, que tem o valor venal de R$ 20.129. Aplicada a alíquota de 4% do estado de São Paulo, o IPVA a ser pago é de R$ 805,16. À vista, o valor com o desconto aplicado fica em R$ 781. Veja abaixo as simulações de parcelamento somente do IPVA nos respectivos sites citados:

    • Zapay: 12 vezes de R$ 86,25 = total de R$ 1.035,05 (+ R$ 229,89 ou 28,55% de juros/valor do serviço).
    • Zignet: 12 vezes de R$ 92,12 = total de R$ 1.105,44 (+ R$ 300,28 ou 37,29% de juros/valor do serviço).

    Vale a pena?

    O melhor cenário para o cidadão, do ponto de vista financeiro, continua sendo, claro, o planejamento prévio, que permita escolher entre pagar o IPVA à vista com desconto ou utilizar o parcelamento sem juros oferecido pelo próprio estado.

    “Essas opções evitam custos adicionais e ajudam a preservar o orçamento. Quando o contribuinte não consegue acessar nenhuma dessas alternativas, pagar o IPVA parcelado no cartão de crédito por meio de empresas especializadas ou contratar um empréstimo passa a ser uma medida de emergência, e não uma decisão financeira eficiente”, afirma Rejane Tamoto, planejadora financeira.

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    Classic 1.0 Life, Prisma Maxx e Corsa Sedan 1.8 Maxx, todos modelos 2006 da Chevrolet, durante teste comparativo da revista Quatro Rodas.
    Classic 1.0 Life, Prisma Maxx e Corsa Sedan 1.8 Maxx, todos modelos 2006 da Chevrolet, durante teste comparativo da revista Quatro Rodas. (Marco de Bari/Quatro Rodas)

    No exemplo apresentado, os números deixam isso de forma clara. Um IPVA de pouco mais de R$ 800, que poderia ser quitado à vista por cerca de R$ 780, ultrapassa facilmente R$ 1.000 quando parcelado em 12 vezes. Isso representa um acréscimo de aproximadamente 30% a 40% no valor do imposto, o que equivale a juros muito elevados, superiores aos praticados em linhas de crédito de menor custo, como o crédito consignado.

    “Ao comparar essas alternativas com outras linhas de crédito, é preciso cautela. Dependendo do perfil do cliente e da instituição financeira, uma modalidade de crédito com garantia pode até apresentar juros menores do que o parcelamento no cartão via intermediários, mas ainda assim envolve custo financeiro relevante. Além disso, tomar empréstimo alonga o impacto da despesa no orçamento e pode comprometer a capacidade de pagamento de outras contas ao longo do ano. Não adianta resolver o problema agora e precisar recorrer novamente ao crédito nos meses seguintes para equilibrar as contas”, diz Tamoto.

    A especialista ressalta que quando esse tipo de parcelamento é analisado como uma operação de crédito, usando juros compostos, que é o padrão do sistema financeiro, a taxa efetiva mensal pode ultrapassar 4% ao mês. Esse é um custo elevado para um imposto previsível, com data conhecida e desconto para pagamento à vista.

    Calendário de vencimento do IPVA 2026 em São Paulo inicia em janeiro
    Calendário de vencimento do IPVA 2026 em São Paulo inicia em janeiro (José Cruz/Agência Brasil)
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    O que observar na hora de parcelar o IPVA no cartão de crédito

    Na hora de contratar um serviço de parcelamento no cartão, o contribuinte deve observar o custo total da operação, e não apenas o valor da parcela.

    “É importante verificar quanto será pago ao final, qual é o percentual de juros embutido, se existem taxas administrativas adicionais e se aquela parcela realmente cabe no orçamento mensal, sem gerar um efeito cascata em outras despesas. Também é fundamental entender que, ao usar o cartão de crédito, a pessoa compromete o limite”, destaca a planejadora financeira.

    Antes de recorrer a qualquer linha de crédito para pagar o IPVA, a recomendação é fazer uma revisão geral do orçamento. Esse exercício é essencial para verificar se existe capacidade real de pagamento das parcelas, sem a necessidade de contratar um novo empréstimo no mês seguinte.

    Como planejar o pagamento do IPVA e cometer menos erros?

    Rejane Tamoto aponta o passo a passo para organizar as finanças e pagar o IPVA sem recorrer ao cartão de crédito ou a empréstimos:

    • O primeiro passo é registrar todas as receitas e despesas, seja em planilha ou aplicativo, para ter um retrato claro do fluxo de caixa. A partir dessas projeções, constrói-se um orçamento, que passa a ser um guia importante para provisionar despesas futuras, como o próprio IPVA.
    • No momento de elaborar o orçamento, é possível decidir quais despesas podem ser reduzidas, quais itens de consumo podem ser substituídos por alternativas de melhor custo-benefício e quais serviços que não estão mais em uso podem ser suspensos ou portabilizados.
    • Nesse orçamento, devem ser provisionados tanto os valores das parcelas do IPVA do ano corrente quanto um valor para iniciar o investimento em uma reserva para o ano seguinte. Não é um problema que esse valor seja pequeno; o mais importante é o hábito de investir o recurso.
    • Essa organização aumenta o fôlego financeiro e, em muitos casos, permite iniciar uma reserva de emergência, reduzindo a necessidade de recorrer a crédito para despesas previsíveis como o IPVA.
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      Transito de veiculos para viagens de fim de ano na Ponte Rio-Niterói
      Transito de veiculos para viagens de fim de ano na Ponte Rio-Niterói (Fernando Frazão/Agência Brasil)

      O planejamento para pagar o IPVA passa, principalmente, pela antecipação. Esse é um trabalho feito ao longo do ano anterior e reforçado no fim do ano, quando muitas pessoas recebem o 13º salário ou bonificações.

      “Quem consegue formar uma reserva específica, aplicada em investimentos conservadores e líquidos, ganha flexibilidade para pagar à vista, aproveitar descontos e evitar parcelamentos caros. No fim das contas, mais do que escolher entre cartão ou empréstimo, o que faz diferença é transformar o IPVA em uma despesa planejada, e não em uma emergência financeira”, conclui a Tamoto.

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