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BMW G 650 GS

A versão montada em Manaus ganha o mesmo visual que tem na Europa - e fica bem mais sedutora

Por Eduardo Viotti | fotos: Guilber Hidaka
4 out 2011, 18h09 • Atualizado em 9 nov 2016, 11h54
  • BMW G 650 GS

    O marinheiro espanhol Juan Ponce de León (1460-1521) morreu tentando obstinadamente descobrir a fonte da juventude na América recém-descoberta. Vasculhou a região onde hoje fica a Flórida em busca da tal água milagrosa. Pois é, ainda não haviam inventado os face-lifts, nem para máquinas, nem para humanos.

    Hoje, a tecnologia poderia ajudar Ponce de León, como tem feito repetidamente com as motocicletas. A BMW G 650 GS acaba de ganhar, com um banho de estilo, uma rejuvenescida de pelo menos dez anos, voltando a ser atraente e jovial. E isso sem mudar quase nada em seu experiente e robusto coração de exploradora germânica.

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    A BMW G 650 GS está, além de remoçada, mais bem equipada: agora incorpora manoplas aquecidas ao já bastante polpudo pacote de equipamentos de série. Úteis – mais que isso, deliciosas – no inverno do sul do país, são apenas decorativas em Manaus, por exemplo, onde ela é montada, e em boa parte do Brasil. Também as rodas, que eram raiadas, agora são de liga leve, com dez raios. Mais bonitas e leves.

    O painel mudou bastante. Antes com os dois instrumentos principais de ponteiros, hoje adota a fórmula consagrada de um copinho com ponteiro e um mostrador de cristal líquido (LCD) – só que “ao contrário”. Explico: o velocímetro é que fica com o ponteiro, e o contagiros foi para um acanhado display digital de barrinhas… Na contramão da tendência mundial, a BMW deve ter argumentos próprios para adotar essa configuração peculiar. De todo modo, é estranho e dificulta a leitura.

    O kit de série inclui os estupendos freios ABS – à moda alemã -, ríspidos ao comunicar ao motociclista que ele está avançando em uma pilotagem de alto risco, mas passíveis de ser desligados, virtude para incursões fora de estrada. Protetores de mão e cavalete central já estavam lá antes da plástica.

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    E a renovada foi geral, de cabo a rabo. As peças de “aparência” mudaram quase todas – uma exceção é o para-lama dianteiro preto fosco, junto à roda, igual. A carenagem principal, superior, que inclui o bico à guisa de para-lama, é diferente, mais angulosa e moderna. O protetor de cárter, à frente do berço do motor, é bem menor, e agora preto fosco, tonalidade também adotada nas bengalas inferiores, na balança traseira, no quadro e nas partes baixas do motor (as caixas de embreagem e de câmbio). Antes era tudo cinza-claro, prata. Agora, negro.

    O farol mudou bastante, adotando o estilo de par assimétrico que caracteriza outros modelos da marca, com um elemento óptico principal (o farol) e outro menor (para a luz de posição). O assento também é novo, em dois tons.

    Uma perda que alguns poderão lamentar é a do pequeno para-lama traseiro que ficava junto à roda, ligado ao cobre-corrente (na direita) e fixado à balança. Foi-se. Era um detalhe muito próprio das BMW, mas funcionalmente pouca falta fará. Se reduzia o spray de chuvisco nas costas, por outro lado podia travar a roda se o pneu aderisse à lama grudenta, no off-road.

    De resto, tecnicamente a moto continua praticamente a mesma. Uma de suas peculiaridades são as ponteiras duplas de inox. Uma delas, a esquerda, abriga o catalisador e é fechada, não serve para o despejo dos gases, apenas como caminho para eles. A outra, da direita, é que funciona como escape, com o furo por onde sai a fumaça.

    O motor austro-canadense é firme e transpira robustez. É um pouco áspero no trato, com vibrações finas, e faltalhe uma pegada agressiva, apesar dos 50 cv e dos 6 “quilos” de torque. Em compensação, transpira robustez.

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    A moto é estável, com geometria equilibrada e suspensões adequadas. Boa de curva, em parte graças aos excelentes pneus de uso misto. Um conjunto de acabamento perfeito, bom equilíbrio e excelente disposição para viagens médias e até longas. É confortável e tem capacidade de levar bagagens, embora uma tampinha no bagageiro traseiro inviabilize, na prática, a instalação de um bauleto comum. A opção fica por conta de alforjes laterais.

    A BMW de entrada na marca consegue, com o banho de juventude, manter- se atraente para disputar o segmento big trail com Yamaha XT 660R, Suzuki DL 650 V-Strom, Honda VT 700 Transalp e Kawasaki Versys. O prestígio da hélice azul ajuda bastante.

    TOCADA

    A pegada do motor Rotax 650 é pacata, e ele é um tiquinho áspero. Falta agressividade, mas sobram confiança e força.

    ★★★★

    DIA A DIA

    A moto ideal para uso na selva de pedra das grandes cidades. Prática, maneável, esguia e com bom bagageiro.

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    ★★★★

    ESTILO

    Remoçada, volta a ter sex appeal para enfrentar a concorrência, dura no segmento. Demorou, mas ficou bom.

    ★★★★

    MOTOR E TRANSMISSÃO

    O câmbio poderia ter seis marchas, mas é preciso e justo. O motor é econômico e transpira robustez.

    ★★★

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    SEGURANÇA

    Com ABS de série e bons pneus Metzeler Tourance EXP, além de geometria estável, é muito segura.

    ★★★★

    MERCADO

    Produto de entrada da marca alemã, que tem prestígio. Com dois anos de garantia e assistência 24 horas, manda bem.

    ★★★★

    VEREDICTO

    O preço não inclui frete, mas contempla manoplas aquecidas, protetores de mão, ABS, cavalete central, dois anos de garantia e socorro 24 horas. E o status BMW. É bom negócio.

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