A Rolls-Royce divulgou um balanço das operações da sua divisão Bespoke — responsável pelos seus projetos mais exclusivos e caros — referente ao ano de 2025. O período foi marcado especialmente por uma mudança no perfil de exigência dos clientes de ultra luxo, que migraram de acabamentos tradicionais para o uso de materiais inusitados, como concreto polido, ouro 24 quilates e técnicas de impressão 3D em tecidos.O crescimento na demanda por veículos "one-off" (unidades únicas) foi impulsionado pela expansão dos escritórios da marca em Dubai, Seul, Xangai e Nova York. Segundo a fabricante, os pedidos de clientes atendidos por estes polos mais do que dobraram em relação ao ano anterior.A Rolls-Royce também atendeu a pedidos que desafiaram os limites da engenharia de materiais em busca de exclusividade.Concreto, Videogames e PetsUm exemplo é o Ghost Extended Foundation, encomendado pelo dono de uma construtora. O sedã teve os controles rotativos do painel fabricados em concreto polido.Para viabilizar o uso do material em um componente automotivo tátil, a engenharia da Rolls-Royce utilizou uma base impressa em 3D e misturou o concreto com um compósito especial, garantindo que a peça não quebrasse e tivesse o toque refinado exigido pelo padrão da marca.Outro projeto curioso foi o Spectre Bailey, um tributo ao cachorro da família de um cliente norte-americano. O cupê elétrico recebeu uma pintura em dois tons que imita a pelagem do animal (uma mistura de Labrador com Golden Retriever) e um retrato em marchetaria composto por 180 peças de nove tipos de lâminas diferentes de madeira no console traseiro.Já o público mais jovem motivou a criação do Black Badge Ghost Gamer. Inspirado no universo dos videogames de 8 bits, o carro traz alienígenas pixelados bordados nos encostos de cabeça e um teto estrelado (o Starlight Headliner) que simula naves espaciais disparando lasers.Técnica a serviço do luxoA divisão Bespoke implementou novas técnicas industriais para atender a esses pedidos. A pintura do teto estrelado agora pode ser feita inteiramente à mão, processo que leva 160 horas e utiliza 20 camadas de tinta, como visto no Cullinan Cosmos.Além disso, a marca introduziu bordados estruturais autoportantes, que criam formas 3D, como pétalas de flores, sem suporte de tecido, no Phantom Extended Cherry Blossom. Essas inovações reforçam a estratégia da marca de se posicionar não apenas como fabricante de automóveis, mas como uma casa de luxo.A marca não divulga os preços dessas unidades, mas considerando que um Phantom "básico" parte de valores superiores a US$ 460.000 (R$ 2,7 milhões sem impostos), estima-se que as unidades da coleção Centenary e os projetos one-off (únicos) ultrapassem facilmente a casa dos milhões de dólares, competindo diretamente com iates e imóveis de alto padrão, e não com outros automóveis.A personalização extrema tornou-se a principal ferramenta de lucro para marcas de superluxo como Rolls-Royce, Bentley e Ferrari. Ao transformar um carro de série em um item de coleção, as fabricantes conseguem elevar o ticket médio dos veículos em percentuais que, muitas vezes, ultrapassam o valor do próprio carro base.Para sustentar essa demanda crescente, a Rolls-Royce iniciou uma expansão de sua fábrica em Goodwood, na Inglaterra, com um investimento superior a 300 milhões de libras (aprox. R$ 2,2 bilhões). A obra deve ser concluída antes do final da década para abrigar novas tecnologias de personalização.