Citroën 2 CV Concept revive ‘Fusca francês’ para frear chineses na Europa
Antiga promessa de nunca ressuscitar o clássico foi quebrada; conceito elétrico com porta-ovos nas portas antecipa carro de 15.000 euros para 2028
O clássico Citroën 2 CV, que foi tão importante para a França quanto o Fusca no Brasil, serviu de inspiração para a mais nova aposta da fabricante rumo à eletrificação entre os carros populares. Atração do Salão de Paris, que abre as portas ao público na próxima terça-feira (13), o 2 CV Concept é um manifesto que antecipa um modelo de produção previsto para 2028.
Posicionado entre o subcompacto Ami e o hatch C3, o Citroën 2 CV de nova geração mira um preço inicial de 15.000 euros (R$ 90.000 ao câmbio atual).
Durante anos, antigos executivos da marca francesa juraram que nunca ressuscitariam o ícone, apesar de ele ser o carro mais famoso da história da empresa. Com mais de 3,8 milhões de unidades vendidas entre 1948 e 1990, o 2 CV cumpriu na França o mesmo papel de democratização da mobilidade que o Volkswagen Fusca teve na Alemanha e no Brasil. Agora, a Stellantis usa esse enorme peso histórico — somado ao saudosismo — como meio de tentar conter o avanço das montadoras chinesas no mercado europeu.
Herança visual e espaço para piquenique
O conceito mergulha fundo no estilo retrô, sendo quase caricato. Estão lá o capô com vincos profundos, os faróis redondos saltados da carroceria plana e o clássico teto de lona retrátil. Contudo, a nova interpretação ganhou uma carroceria musculosa, bitolas mais largas e grandes rodas que preenchem as caixas de roda de uma forma que o 2 CV original jamais conseguiu.
Com 3,76 m de comprimento, o conceito consegue ser cerca de 20 cm menor que o velho “caracol de lata”. O tamanho, aliado a um projeto focado em redução de peso (mirando cerca de 1.000 kg), favorecerá a agilidade no trânsito e facilitará as manobras de estacionamento.
A cabine rompe com os padrões convencionais e resgata a simplicidade genial do passado. Os bancos podem ser facilmente removidos da cabine para um piquenique ao ar livre, e um cesto portátil no assoalho faz as vezes de console central.
O detalhe mais curioso do projeto, no entanto, é o porta-ovos integrado às portas. A excentricidade é uma homenagem direta ao caderno de encargos original da década de 1930, que exigia que o carro fosse macio o suficiente para transportar uma cesta de ovos por um campo arado e esburacado sem quebrar nenhuma unidade. Isso só era possível porque as molas eram dispostas na horizontal, de forma que o movimento de uma roda dianteira compensava mecanicamente a traseira do mesmo lado, eliminando o balanço longitudinal e garantindo estabilidade incomum.
Desempenho e alcance modestos
A Citroën ainda mantém o conjunto mecânico em segredo, mas a meta de preço estipulada dita as limitações. Não se deve esperar alto desempenho ou baterias com autonomias superlativas.
Como base de comparação dentro deste segmento de acesso, a versão de entrada do futuro rival Renault Twingo entrega cerca de 82 cv de potência e 262 km de alcance. O seletor de marchas, que no passado controlava um ruidoso motor de dois cilindros refrigerado a ar, agora gerencia um conjunto elétrico silencioso que aposta na leveza construtiva para maximizar a eficiência.






