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Argentina zera imposto de exportação de veículos a partir de julho

Para proteger a produção de picapes, país vizinho zera tarifa de exportação, embora impacto nas concessionárias brasileiras deva ser mínimo

Por Nicolas Tavares 23 jun 2026, 13h03
Fiat Titano inicia produção na Argentina
Fiat Titano inicia produção na Argentina (Divulgação/Fiat)
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O governo argentino vai zerar o imposto de exportação para os carros produzidos no país, como Fiat Titano, Ford Ranger e Toyota Hilux, a partir de julho. A alíquota de 4,5% cobrada sobre os veículos enviados ao exterior deixará de ser cobrado, em uma medida temporária válida até junho de 2027. O movimento atende um pedido da Adefa, a associação das fabricantes da Argentina, para que o país fique mais competitivo não só em comparação ao Brasil, como também aos automóveis chineses.

Diferente da maioria dos países produtores, que isentam bens exportados para não encarecer o produto final, o país mantinha uma taxação incomum para itens automotivos. Na prática, a medida tenta anular uma desvantagem histórica em vez de criar um benefício comercial. A expectativa das fabricantes é que a previsibilidade nas regras destrave planos de produção e evite cortes de investimento.

Picape se sai notavelmente bem em estradas de terra e cascalho

Picapes médias na linha de frente

O mercado brasileiro é o principal alvo dessa mudança, já que absorve quase dois terços de tudo o que as linhas de montagem vizinhas produzem. A Argentina consolidou-se como o quarto maior produtor global de picapes médias. É de lá que vêm caminhonetes como a Toyota Hilux, Ford Ranger, Volkswagen Amarok e Fiat Titano, além da futura Renault Niagara, prevista para o fim do ano.

A isenção tenta criar um escudo justamente para esse segmento de utilitários com caçamba. Até pouco tempo, a dominância argentina na categoria era inquestionável, mas a chegada de picapes asiáticas com forte apelo de custo forçou uma revisão na estratégia. Há ainda o fluxo constante de automóveis de passeio, como o Fiat Cronos e a dupla Peugeot 208 e 2008, que também dependem dessa rota de escoamento.

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Ford Ranger Tremor
(Divulgação/Ford)

Repasse para o consumidor será discreto

Embora a redução tributária soe como um alívio imediato para quem espera comprar uma picape mais barata, a realidade nas concessionárias brasileiras pode ser diferente.

A mudança atende muito mais à necessidade de fôlego da economia argentina do que ao bolso do consumidor local. O setor automotivo representa mais de oito por cento do Produto Interno Bruto vizinho e movimenta 9 bilhões de dólares anuais (cerca de R$ 48 bilhões na conversão atual). Com a produção registrando queda no primeiro quadrimestre, garantir a manutenção das exportações para o Brasil tornou-se vital para evitar paralisações.

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Mais impostos na mira da indústria

O corte da alíquota federal é considerado apenas o primeiro passo pelas montadoras, que agora pressionam províncias e municípios a eliminarem taxas locais sobre a renda bruta. A carga tributária total sobre um veículo exportado pode bater na casa dos 15%, um gargalo pesado quando comparado aos 3% cobrados pelo Brasil, que hoje atua como parceiro e, simultaneamente, o maior competidor industrial da região.

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil ao fundo e uma bola no gramado. À direita, capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas, com um carro vermelho em destaque. Um ícone de árvore branca aparece no canto superior direitoTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um pequeno ícone de árvore branca.
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