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Defender 110 Trophy é jipão de R$ 899.990 que não tem medo de lama

Você teria coragem de colocar um carro de R$ 900.000 na lama? O Defender 110 Trophy Edition tem disposição para aventuras mais desafiadoras

Por Henrique Rodriguez Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jul 2026, 17h03
Um Land Rover Defender amarelo e preto atravessa uma poça de lama, espirrando água e terra para o alto. O veículo tem um rack de teto e a placa QUATRO RODAS na frente. O cenário é uma estrada de terra com vegetação verde ao fundo, sob luz solar
Um SUV grande como este e pintado de amarelo não passa incógnito (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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Ao longo de 18 anos, aventureiros atravessavam cantos remotos do planeta em comboios de jipes 4×4 em um tom de amarelo puxado para o ocre. Range Rover, Discovery, Freelander e, claro, o Defender foram submetidos aos mais diferentes desafios embrenhados na Amazônia, na Sibéria, na Mongólia e em diversas partes da África. Era o Camel Trophy, evento que conquistou a importância de uma olimpíada dos 4×4, que o novo Defender Trophy faz questão de relembrar.

Não há aventura mais icônica associada à Land Rover, mesmo que o evento tenha sido criado pela fabricante de cigarros Camel (R.J. Reynolds) como uma estratégia de marketing. Começou no Brasil em 1980, quando três grupos de aventureiros alemães atravessaram o estado do Pará, de Belém a Santarém com… três Ford Jeep. A Land Rover começou a fornecer os carros em 1981 e seguiu apoiando o evento com carros de competição e apoio até 1999.

SUV amarelo com teto preto e estepe na traseira, levantando poeira em estrada de terra. Ao fundo, árvores secas e colinas verdes sob céu azul
Estepe com roda que parece de aço dispensa capa de proteção (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Existe uma versão moderna do evento, o Land Rover Trophy. Envolve desafios que colocam à prova a capacidade de pilotagem, o condicionamento físico e a engenhosidade dos participantes, e também atividades de preservação da natureza – cortar árvores centenárias para construir pontes deixou de ser uma opção.

Jipe Land Rover Defender bege com Camel Trophy no teto, atravessando um rio, levantando grandes jatos de água para os lados e sobre o para-brisa
Mais de 2.000 km por trechos quase intransitáveis; 13 dias e 13 noites na Amazônia, confiando na força dos motores de vinte Defender; esta foi a aventura que vivemos no coração da Amazônia, contada em julho de 1984, na edição 288 (Claudio Larangeira/Quatro Rodas)

Houve etapas eliminatórias regionais em alguns países, antecedendo o evento principal, que será na África, em outubro. E o Defender 110 Trophy Edition mostrado aqui é uma interpretação moderna do Defender original, com alguns elementos que remetem àqueles 110 que na edição de 1984 foram de Santarém a Manaus.

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Um Land Rover Defender amarelo e preto em movimento, visto de lado, levantando poeira em uma estrada de terra com vegetação borrada ao fundo
Compartimento lateral suporta 17 kg de carga (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Essa versão traz snorkel, para elevar a admissão de ar do motor (a capacidade de imersão é de 90 cm), um bagageiro no teto bem robusto, capô (de alumínio) pintado de preto e para-barros, além de ter uma escada dobrável do lado esquerdo e um porta-objetos externo do lado direito como equipamentos de série. Ambos são opcionais para os Defender mais, digamos, urbanos.

Lateral e traseira de um SUV amarelo com teto preto, rack de teto e escada preta dobrável na lateral. O veículo está estacionado em uma estrada de terra, com colinas e vegetação ao fundo sob um céu azul
Escada dobrável suporta até 130 kg (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Mas o que contribui muito com a estética aventureira são as rodas aro 20, que parecem convencionais, de aço estampado pintado de preto, mas são forjadas em liga leve e estão calçadas com pneus de uso misto. Elas combinam bastante com as molduras das caixas de roda, com acabamento em preto brilhante, que as torna mais vulneráveis a esbarrões e arranhões causados por galhos em eventuais trilhas. Em outras versões, este item pode ser de plástico fosco.

Lateral de um carro amarelo com detalhes pretos, incluindo o para-lama, retrovisor e um snorkel. Ao fundo, uma estrada de terra e montanhas com vegetação rasteira sob céu azul
Snorkel contribui com a capacidade de imersão de até 90 cm (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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O amarelo Deep Sandglow não é a única cor de carroceria disponível, também existe o verde Keswick. É a única opção disponível para esta série especial e não altera o preço final de R$ 899.990. Não é o Defender mais caro à venda no Brasil: o Defender 110 X, que é mais discreto e tem acabamento interno com materiais mais nobres, sai por R$ 909.990.

Interior de um carro moderno com volante multifuncional preto, painel digital exibindo um veículo e um velocímetro, e uma tela multimídia central com paisagem. O painel tem detalhes em amarelo e o console central possui porta-copos e apoio de braço. Os bancos são de couro preto.
Quadro de instrumentos pode mostrar o navegador (Fernando Pires/Quatro Rodas)

O amarelo volta a aparecer na cabine do Defender Trophy. Primeiro porque todo Defender tem parte de lataria da porta exposta por dentro, faz parte da sua personalidade. Em segundo porque a faixa central do painel, que também pode ser usada como porta-objetos, acompanha a cor da carroceria.

Essa área tem um revestimento de borracha que também aparece na lateral do console central, inclusive ao redor do seletor de marcha, reforçando as peças. Todo o resto da cabine é preto, inclusive o couro dos bancos, do tipo Windsor.

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Interior de um carro amarelo com bancos de couro preto, volante e painel escuros. O banco do motorista está em primeiro plano, com cinto de segurança visível. Detalhes dourados no painel e na porta contrastam com o preto, e um emblema Trophy aparece na lateral do console central
Interior é todo preto, com partes reforçadas e também pode ter algumas partes lavadas – bom para quem vai usar na terra (Fernando Pires/Quatro Rodas)
Interior de um carro bege, mostrando os assentos traseiros de couro preto com cintos de segurança e detalhes dourados nas portas
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

A preocupação com a praticidade reaparece no piso, revestido de material impermeável por baixo dos tapetes, que têm bordas de borracha. Assoalho e laterais do porta-malas contam com revestimento rígido, também focado na durabilidade.

Mesmo que a cabine não venha com uma terceira fila de assentos, há saídas e controle de ar-condicionado no porta-malas, além de botões para controlar a altura da suspensão pneumática, que é padrão nesta versão. Esta suspensão, aliás, pode elevar o carro em 7,5 cm: o vão livre do solo aumenta de 21,8 cm para 29,3 cm, se necessário, no modo off-road.

Painel interno de um carro com tela multimídia exibindo opções de navegação, telefone e mídia, com uma estrada ao pôr do sol na tela de navegação. Abaixo, alavanca de câmbio, botão Start Stop e controles de ar condicionado com temperatura de 22 graus
A boa central multimídia Pivi Pro de 13,1” é capaz de controlar os bloqueios de diferencial. Passageiros traseiros têm duas zonas de temperatura à disposição (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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Repare nos controles do ar-condicionado mostrados na página ao lado. Há uma divisão entre os comandos. Os que estão à esquerda operam suspensão, modos de condução, assistente de descida, start-stop e controle de tração. Os da direita é que controlam o ar-condicionado.

Os botões giratórios de temperatura têm função dupla: o que está associado à tração também controla os modos de operação, enquanto o outro ajusta a zona de temperatura do carona e a velocidade da ventilação (da mesma forma que se vê nos Fiat Pulse e Fastback). E ainda há duas zonas de temperatura para o banco de trás.

Vista superior do motor de um carro, com a tampa preta do motor em destaque no centro, cercada por componentes amarelos e mangueiras pretas. O capô está aberto, revelando a complexidade do compartimento do motor, com detalhes como o reservatório de fluido de freio e o filtro de ar visíveis. O fundo é um tom de amarelo, indicando a cor do veículo
Motor 3.0 turbo diesel é surpreendentemente silencioso (Fernando Pires/Quatro Rodas)

O mais importante é que os modos de tração (o chamado Terrain Response II) estão estreitamente vinculados ao funcionamento da suspensão e dos bloqueios central e traseiro. No off-road, a eletrônica se encarrega de gerir quando cada blocante precisa atuar, ou quando marchas reduzidas devem ser convocadas no câmbio automático de oito marchas. O carro cumpre suas missões, em qualquer situação, sem reclamar ou mostrar incapacidade.

SUV Land Rover Defender amarelo e preto em estrada de terra, levantando poeira. O veículo tem rack de teto e snorkel, com colinas verdes e árvores ao fundo
O capô e as colunas B têm logotipos da série Trophy (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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Para reforçar a sensação deste carro ser capaz de encarar todos obstáculos, desde 2025 o Defender 110 é importado apenas com o motor seis-cilindros em linha 3.0 turbo diesel da família Ingenium, híbrido leve 48 V, com 350 cv e 71,3 kgfm. Ele surpreende tanto por ser muito silencioso e suave para um motor a diesel quanto pelas respostas contundentes, com uma entrega de força compatível com o porte e o peso do carro.

Vem a calhar que o torque máximo esteja disponível a 1.500 rpm, fazendo o SUV parecer pesar muito menos que seus 2.436 kg. O tempo de 0 a 100 km/h de 6,4 s, declarado pela fábrica, corrobora para essa sensação.

Land Rover Defender amarelo e preto, com bagageiro de teto, parado em estrada de terra. Faróis acesos, grade frontal preta com o logo da Land Rover e placa Quatro Rodas vermelha. Ao fundo, vegetação verde e seca
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

Você pode pensar que o tamanho do Defender 110 é incômodo no trânsito. Eu digo que ele me fez descobrir que alguns shoppings disparam alarmes quando o carro ultrapassa certa altura (culpa do bagageiro, mas resolvi colocando a suspensão na altura mínima). Outro argumento é este Trophy Edition ser muito extravagante, mas ao menos ele faz jus a tudo que prometeu, da homenagem ao Camel Trophy à capacidade off-road.

Traseira de um Land Rover Defender amarelo e preto em estrada de terra, com lama espirrando dos pneus. O carro tem estepe na porta traseira, rack de teto e para-barros. Vegetação seca e verde nas laterais da estrada, sob luz solar
(Fernando Pires/Quatro Rodas)

O Defender Trophy Edition está muito longe de ser uma compra racional, mas o Defender por si só, que parte dos R$ 799.490 na versão 90, com duas portas, é um dos poucos SUVs de luxo que não temem a lama e muita gente aprecia isso: desde 2025, o Defender é o Land Rover mais vendido do Brasil – de janeiro a junho, foram 625 contra 191 Discovery Sport e 185 Range Rover Sport. Quem diria…

Veredicto

O Defender Trophy tem tudo aquilo que se espera de um bom carro para o off-road, da suspensão à tração, passando por itens que seriam acessórios, como pneus de uso misto e o snorkel. O mais legal é que, por mais que seja um carro de luxo, ele faz jus a tudo que tem e não teme nenhum obstáculo.

Defender 110 Trophy é jipão de R$ 899.990 que não tem medo de lamaDefender 110 Trophy é jipão de R$ 899.990 que não tem medo de lamaDefender 110 Trophy é jipão de R$ 899.990 que não tem medo de lamaDefender 110 Trophy é jipão de R$ 899.990 que não tem medo de lamaDefender 110 Trophy é jipão de R$ 899.990 que não tem medo de lama

Galeria de fotos

Ficha técnica – Land Rover Defender 110 Trophy Edition

Preço: R$ 899.990
Motor: diesel, dianteiro, seis cilindros em linha, longitudinal, turbo, 2.997 cm³; 350 cv a 4.000 rpm; 71,3 kgfm entre 1.500 e 3.000 rpm; híbrido leve 48 V
Direção: elétrica, 13,1 m de diâmetro de giro
Suspensão: duplo A (dianteiro), multilink (traseiro); molas pneumáticas e amortecedores CCD
Freios: disco ventilado (diant.e tras.)
Pneus: 255/60 R20
Dimensões: comprimento 501,8 cm; largura 210,5 cm; altura 196,7 m; entre-eixos 302,2 cm, peso 2.436 kg, vão livre 18,8 cm a 29,6 cm; porta-malas 786 litros
Desempenho*: 0 a 100 km/h em 6,4 s; velocidade máxima de 191 km/h
*Dados de fábrica

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